Cirurgia da coluna com navegação

Navegação 3D por imagem intraoperatória

A navegação funciona como um GPS dentro do centro cirúrgico: mostra em tempo real, sobre imagens tridimensionais do próprio paciente, onde cada instrumento está.

Cirurgia da coluna com navegação por imagem

Como funciona

Durante a cirurgia, um equipamento de tomografia realiza uma aquisição tridimensional da coluna do paciente, já posicionado na mesa. Essas imagens são transferidas para uma estação de navegação.

Um sistema de câmeras rastreia marcadores fixados ao paciente e aos instrumentos cirúrgicos. Com isso, a tela mostra em tempo real a posição exata de cada instrumento em relação à anatomia real, em três planos simultâneos.

A diferença em relação ao método tradicional

Sem navegação, o cirurgião se orienta por referências anatômicas e por radiografias em duas dimensões obtidas durante o procedimento. Com navegação, ele acompanha a trajetória em três dimensões, sobre a anatomia daquele paciente, antes mesmo de introduzir o implante.

Há um benefício adicional pouco lembrado: a navegação reduz a necessidade de radioscopia repetida ao longo da cirurgia, o que diminui a exposição à radiação, sobretudo para a equipe, que se expõe repetidamente ao longo dos anos.

Quando é indicada

A navegação não é necessária em todo procedimento. Ela agrega valor real nas situações em que a precisão do posicionamento é crítica ou a anatomia é desafiadora:

  • Cirurgias com colocação de parafusos e implantes, como artrodeses
  • Correção de deformidades, em que as vértebras estão rotacionadas e as referências habituais se perdem
  • Espondilolistese, pelo deslizamento que altera a anatomia
  • Fraturas, em que as referências ósseas podem estar comprometidas
  • Cirurgias de revisão, com anatomia modificada por procedimentos prévios
  • Segmentos com pedículos estreitos ou anatomia atípica
  • Procedimentos percutâneos, em que não há visão direta da anatomia

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Benefícios e limites

AspectoO que muda
PrecisãoMaior acurácia no posicionamento de implantes, o que é bem documentado na literatura
SegurançaTrajetórias conferidas antes da introdução definitiva do implante
RadiaçãoMenor exposição da equipe durante o procedimento
Anatomia difícilEspecialmente útil quando as referências habituais estão alteradas
Acessos pequenosViabiliza fixações percutâneas com maior segurança

Sobre os limites, é importante dizer com clareza: a navegação é uma ferramenta de apoio, não um substituto do conhecimento anatômico nem da experiência. Ela depende de calibração correta e de conferência constante. O cirurgião precisa saber operar sem ela para poder usá-la bem.

Como é o procedimento

Após a anestesia e o posicionamento, é fixado um marcador de referência ao paciente. Realiza-se então a aquisição tomográfica, com a equipe fora da sala durante os segundos de captura.

As imagens são carregadas na estação de navegação e o sistema é validado, conferindo se a posição mostrada na tela corresponde à realidade. Só então o procedimento avança, com o cirurgião acompanhando cada trajetória na tela enquanto executa.

Ao final, é possível realizar nova aquisição para confirmar o posicionamento dos implantes ainda no centro cirúrgico, antes do fechamento. Essa checagem é uma vantagem prática relevante: eventuais ajustes são feitos na hora.

Dúvidas frequentes

A navegação torna a cirurgia mais demorada?

Acrescenta alguns minutos para a aquisição das imagens e a validação do sistema. Esse tempo costuma ser compensado pela maior agilidade e segurança na colocação dos implantes.

É um robô que faz a cirurgia?

Não. A navegação é um sistema de orientação por imagem. Quem executa cada passo é o cirurgião; o sistema mostra com precisão onde os instrumentos estão.

Toda cirurgia da coluna usa navegação?

Não. Ela é indicada quando agrega benefício real, sobretudo em casos com implantes, anatomia alterada ou correção de deformidade.

A tomografia durante a cirurgia expõe muito à radiação?

A dose é controlada e, no conjunto, a navegação tende a reduzir a exposição total, porque diminui a necessidade de radioscopia repetida ao longo do procedimento.

Isso encarece o procedimento?

A tecnologia tem custo, que varia conforme o hospital e o convênio. Por isso indico quando há benefício claro para o caso, e não como padrão para todos.

Já receberam indicação de cirurgia? Ouvir uma segunda opinião antes de decidir costuma trazer tranquilidade.

Dr. Daniel Duarte Perini

Dr. Daniel Duarte Perini

Ortopedia e Cirurgia da Coluna · CRM/SP 226973 · RQE 137309 · TEOT/SBOT 20400

Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência em Ortopedia e Traumatologia e fellowship em Cirurgia da Coluna Vertebral no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP. Atende em São Paulo, com consultas presenciais, por telemedicina e, quando necessário, em domicílio.

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