Espondilolistese

Deslizamento de uma vértebra sobre a outra

Espondilolistese é o deslizamento de uma vértebra sobre a vértebra de baixo. O nome intimida, mas muitos casos são estáveis e não exigem cirurgia.

Radiografia da coluna lombar mostrando deslizamento vertebral

O que é a espondilolistese

As vértebras se empilham de forma alinhada, com discos entre elas e articulações na parte posterior que funcionam como travas, limitando o movimento para a frente. Na espondilolistese, uma vértebra perde parte desse alinhamento e desliza sobre a vértebra inferior.

O local mais comum é a transição entre a última vértebra lombar e o sacro, justamente onde a coluna recebe maior carga.

Os tipos mais frequentes

TipoMecanismoPerfil típico
ÍstmicaFalha em uma pequena ponte óssea da vértebra, muitas vezes por microtraumas repetidosJovens e atletas de modalidades com extensão repetida da coluna
DegenerativaDesgaste do disco e das articulações posteriores, que perdem a capacidade de travarMais comum após os 50 anos, sobretudo em mulheres
TraumáticaFratura decorrente de trauma de maior energiaQualquer idade

O deslizamento é classificado em graus, conforme o quanto a vértebra se deslocou. A maioria dos casos fica nos graus iniciais e permanece estável ao longo dos anos.

Sintomas

Uma parcela dos pacientes descobre a alteração por acaso, em um exame feito por outro motivo, sem nunca ter tido sintoma relevante. Quando há queixa, o padrão costuma ser:

  • Dor lombar que piora ao ficar em pé por tempo prolongado e ao estender a coluna para trás
  • Alívio ao sentar ou deitar
  • Dor irradiada para as nádegas e coxas
  • Sensação de instabilidade, de que a coluna vai "sair do lugar"
  • Rigidez e encurtamento da musculatura posterior das coxas
  • Nos casos degenerativos, sintomas semelhantes aos da estenose, com dificuldade para caminhar distâncias

Em adolescentes atletas, dor lombar que piora com a atividade e não melhora com repouso merece investigação específica, porque a espondilólise, precursora da forma ístmica, tem bom prognóstico quando identificada cedo.

Está com esses sintomas? Uma avaliação especializada define o diagnóstico e o melhor caminho para o seu caso.

Como é feito o diagnóstico

A radiografia em perfil, com o paciente em pé, é o exame que mostra o deslizamento e permite classificá-lo. Fazer com o paciente deitado subestima o grau, porque a carga do próprio corpo é o que evidencia o deslocamento.

As radiografias dinâmicas, em flexão e extensão, são fundamentais: revelam se a vértebra se move entre as posições, o que caracteriza instabilidade. Esse dado influencia diretamente a decisão sobre estabilizar ou apenas descomprimir.

A ressonância magnética avalia o disco e a compressão das raízes nervosas. A tomografia detalha a anatomia óssea, útil quando se suspeita de falha na ponte óssea e no planejamento cirúrgico.

Tratamento

Tratamento conservador

A maior parte dos casos, especialmente nos graus iniciais e sem compressão nervosa importante, responde bem ao tratamento não cirúrgico.

O foco é fortalecer a musculatura que estabiliza a coluna, trabalhar a flexibilidade da cadeia posterior e controlar a dor. Evitar movimentos de extensão forçada e impacto repetido faz diferença durante a fase sintomática. Em adolescentes com lesão recente da ponte óssea, o uso temporário de colete pode ser indicado para favorecer a consolidação.

Cirurgia

A cirurgia é considerada quando há dor persistente que não respondeu ao tratamento bem conduzido, compressão nervosa com sintomas nas pernas, instabilidade demonstrada nos exames dinâmicos, ou progressão do deslizamento ao longo do acompanhamento.

O procedimento costuma combinar dois objetivos: liberar os nervos comprimidos e estabilizar o segmento que se move em excesso, geralmente com parafusos e um dispositivo entre as vértebras. A navegação por imagem é especialmente útil aqui, porque a anatomia está alterada pelo deslizamento e o posicionamento preciso dos implantes é crítico.

Não é objetivo obrigatório reduzir totalmente o deslizamento. Em muitos casos, estabilizar na posição em que está, com os nervos livres, dá excelente resultado com menos risco.

Dúvidas frequentes

Espondilolistese pode piorar com o tempo?

Pode, mas na maioria dos casos permanece estável por muitos anos. Por isso o acompanhamento com radiografias periódicas é importante, especialmente nos primeiros anos após o diagnóstico.

Qual a diferença entre espondilólise e espondilolistese?

Espondilólise é a falha em uma pequena ponte óssea da vértebra, sem deslizamento. Quando essa falha permite que a vértebra deslize para a frente, passa a se chamar espondilolistese.

Posso praticar esportes com espondilolistese?

Na maioria dos casos sim, com orientação. Modalidades com extensão forçada e repetida da coluna, como ginástica artística e alguns movimentos do futebol e do tênis, exigem mais cautela na fase sintomática.

Toda espondilolistese precisa de artrodese?

Não. Casos estáveis e sem compressão nervosa importante são acompanhados clinicamente. Quando há indicação cirúrgica, o tipo de procedimento depende de haver ou não instabilidade demonstrada nos exames.

Descobri por acaso em um exame e não tenho dor. E agora?

Sem sintomas, a conduta é acompanhamento e fortalecimento. Não se opera imagem, opera-se paciente. O importante é manter a musculatura ativa e reavaliar periodicamente.

Já receberam indicação de cirurgia? Ouvir uma segunda opinião antes de decidir costuma trazer tranquilidade.

Dr. Daniel Duarte Perini

Dr. Daniel Duarte Perini

Ortopedia e Cirurgia da Coluna · CRM/SP 226973 · RQE 137309 · TEOT/SBOT 20400

Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência em Ortopedia e Traumatologia e fellowship em Cirurgia da Coluna Vertebral no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP. Atende em São Paulo, com consultas presenciais, por telemedicina e, quando necessário, em domicílio.

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